terça-feira, 14 de outubro de 2014

Memórias de outros tempos

Por vezes, há autênticos tesouros que se encontram perdidos no meio de pequenos nadas, foi isso que descobri nestes dias. Numas arrumações, com alguma profundidade, cá em casa encontrei esta foto.



Olhei para ela e vi, não apenas sete raparigas lindas, mas também reflexos, lembranças de outros tempos, quase que de outra vida. Esta foto tem algum tempo, embora menos do que aparenta. Devido à sua qualidade, parece que remonta aos anos 80, no entanto, é já do novo milénio. É uma imagem que me traz uma certa nostalgia que foi tirada nos meus tempos de secundário e revelada por nós próprios num pequeno e antigo laboratório de fotografia lá da escola. Ela fez-me lembrar de momentos, de emoções e de pessoas que não estão no meu caminho neste momento, já não pertencem ao presente, mas fazem parte e sempre farão de quem sou, da minha história.

Isto faz-me refletir sobre dois conceitos muito diferentes mas de caráter igualmente subjetivo, o tempo e a amizade. O primeiro segue sem olhar para trás, passa sem dó e, muitas vezes, através deste, o segundo vai desvanecendo. Mas o que é amizade afinal? O que nos prende a determinadas pessoas?

Alguém me disse uma vez, ainda nessa altura, que as amizades da adolescência são as mais verdadeiras porque não estão associadas a outros interesses. Eu penso que essa pessoa tinha bastante razão, pelo menos na maioria dos casos, no entanto, essas amizades tão fortes, tão vividas e intensas ocorrem na altura mais injusta da vida, numa fase confusa que antecede a muitas escolhas, delineando depois caminhos que seguem direções diferentes.

Também connosco aconteceu, após pensarmos que seríamos amigos inseparáveis para sempre, o inevitável se desenrolou, cada um seguiu a sua vida, tomou o seu rumo. Atualmente, não com todos eles, como é obvio, mas com alguns, se nos cruzarmos na rua, agimos como se fossemos estranhos, como se nunca tivéssemos trocado confidências, como se nunca tivéssemos rido junto, andado de gancho pela escola ou feito sorna nas aulas de educação física. Ainda há dias, em conversa com alguns destes amigos que permaneceram na minha vida, chegámos à conclusão de que nem sabemos porque nos separámos, porque na verdade ninguém teve culpa, foram as escolhas, o tempo que passou que nos tornou diferentes. Se tenho saudades? Imensas, das pessoas, das conversas, das brincadeiras, desse tempo.

Mas não se deprimam, a amizade não se refere apenas ao período da adolescência, a gente não vai somente perdendo amigos :). Também há os amigos desde a infância, aqueles que arranjamos na universidade ou aqueles com quem nos cruzamos nesta jornada por termos interesses em comum.

Nisto da amizade não devíamos julgar tanto os outros. É muito engraçado vermos  todos os dias nas redes sociais mensagens com desilusões neste campo, mas já repararam que ninguém se considera mau amigo? Parecemos todos perfeitos aos nossos olhos, fazemos tudo pelos outros e eles, os ingratos ainda são maus, invejam-nos e enganam-nos. O interessante é que toda a gente pensa assim. Nunca conheci ninguém que dissesse sou má pessoa, traio constantemente os meus amigos apesar deles fazerem tudo por mim e me apoiarem constantemente.

Isto faz-me lembrar a minha turma na universidade que, contrariamente à turma do secundário, os conflitos eram bem frequentes.Uns dizem que é com o tempo que se revela o caráter das pessoas, mas eu não estou de acordo com isso, não sempre pelo menos. Acredito que o ser humano é bondoso por natureza sendo que, geralmente, quando uma pessoa vê outra realmente a sofrer, sente vontade de ajudar. Quem rejubila de prazer com o sofrimento alheio, frequentemente, encontra-se no campo da patologia, o que não é o caso da maioria das pessoas. Existem sim feitios diferentes, caminhos opostos, intenções que se cruzam como uma sequência de acidentes num cruzamento demasiado movimentado. Sim, porque às vezes são as circunstâncias ou os pré-julgamentos que nos impedem de ter um bom relacionamento com algumas pessoas. Não obstante, não vou por isso pensar que são más ou têm menos valor enquanto amigos, eles terão os seus próprios amigos, alguém com quem se sentem bem e que se sentirá bem com eles.

Uma coisa é certa, não se pode escolher a nossa família, quando nascemos já pertencemos a alguém e é enquanto crescemos que vamos trilhando o nosso próprio percurso e encontrando outras pessoas. Mas afinal o que são os amigos? Para mim, eles são a família que se escolhe :)


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