sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A magia do Natal: Pai Natal sim ou não?


Quando eu era pequenina acreditava verdadeiramente no Pai Natal, ainda por cima, quando uma certa vez estava na cama com a minha mãe à espera dele, não é que o senti mesmo? Ouvi muito barulho, leia-se vento, do lado de fora e ainda hoje juro, ouvi mesmo uma escada encostar-se à parede para me trazer os meus tão ansiados presentes. Nunca tive muitos, nem nunca eram os da moda como os meus amigos recebiam, eram os que os pais podiam dar mas sempre adorei porque o que importava verdadeiramente não era a prenda, era a antecipação, a expectativa, a emoção de saber que alguém vindo de longe guiado por renas deixaria algo para mim, era a magia do Natal. Embora algumas pessoas pudessem oferecer alguma coisa no dia anterior, cá em casa sempre se abriu as prendas do Pai Natal no dia 25 de manhã, afinal ele distribuía presentes pela noite toda, não sabíamos propriamente a que horas chegaria, mas de manhã certamente que todas estariam distribuídas. Lembro perfeitamente que tinha sempre fruta no sapatinho e de duas prendas em especial, um ferro de engomar de brincar vermelho (não sei porque me lembro desta, deve ser porque detesto engomar e o considero perfeitamente desnecessário) e de um livro de banda desenhada azul da Disney que adorei.


A minha avó não gostava da ideia de Pai Natal, dizia que havia sido o Menino Jesus que trouxera as prendas e, embora eu a adorasse mesmo muito, eu não concordava com ela porque era óbvio, claro para mim que só poderia ter sido o simpático e generoso homem das barbas brancas. Uma vez (já eu sabia quem era o Pai Natal) o meu irmão comportou-se mal na missa do galo, então alguém teve a brilhante ideia de lhe dizer que esquecesse a vinda o Pai Natal nesse ano e acreditem, ele ficou tão, mas tão nervoso, que nesse ano foi necessário antecipar a vinda do dito cujo.

A propósito desta história do Menino Jesus, certo dia uma amiga me contou que havia uma escola de irmãs que proibiam que as educadoras falassem do Pai Natal às crianças, teriam ao invés disso de falar do Menino Jesus. É interessante, qualquer pessoa diria que é normal que isso aconteça, no entanto, julgo que estas senhoras provavelmente não conhecem a natureza de alto teor religioso que existe por debaixo da fachada comercial associada atualmente ao Pai Natal.
A história que dá origem ao nascimento do Pai Natal remonta aos primeiros séculos d.C., quando nasce um menino chamado Nicolau (mais tarde São Nicolau) em Pátara, atualmente região sul da Turquia. Filho de pais abastados, perde-os numa epidemia e utiliza, posteriormente, a sua herança para auxiliar os necessitados. Saliente-se que seus pais o educaram na religião cristã sendo que, ainda em idade jovem foi nomeado bispo da região de Mira. Enquanto bispo ficou conhecido pela sua grande generosidade e pelo seu amor ao próximo, principalmente às crianças e marinheiros. Devido à sua fé, foi perseguido pelo imperador romano Diocleciano, chegando a ser exilado e preso. Relativamente a este senhor existem várias lendas que podem ser lidas aqui. Para mais informações, no que respeita não apenas ao Santo mas também às suas vestes e à sua relação ou não com a Coca-Cola também pode consultar aqui e aqui.

Trago este tema para reflexão, pois vou passar pela segunda vez um Natal como mãe (embora neste âmbito seja o primeiro) e estou na dúvida se lhe vou falar do Pai Natal ou não. Bem, para começar, nem todos os povos do mundo comemoram o Natal e, consequentemente, a vinda do Pai Natal. Além disso, até mesmo onde se celebra, nem todos abrem as prendas no mesmo dia, enquanto aqui as crianças esperam as prendas de 24 para 25 de dezembro, noutros locais abrem a 6 de dezembro (dia de S. Nicolau) e noutros a 6 de janeiro (dia de Reis), ou seja, isto das tradições é bastante relativo.

Nós comemoraremos o Natal sim, pois a magia desta época e os valores de que se fala, família, união, amor, amizade, solidariedade fazem todo o sentido para nós, no entanto, não sei se esta parte da tradição em particular (o Pai Natal que é omnipresente e sabe se os meninos se comportam bem), faz muito sentido para nós. Mais concretamente, não sei se lhe devo falar no homenzinho mítico que percorre o mundo todo numa noite e só traz prendas a quem se comporta bem o ano inteiro (ninguém se comporta bem o tempo todo, né? Não dá!), que é tão bondoso mas não sabemos bem porquê se esquece de muitas crianças, que leva um saco enorme cheio de brinquedos mas que os distribui de forma desigual. Não sei ainda se escreveremos a carta ao tal senhor, que ninguém vê (mas que a maioria das crianças ocidentais jura existir) a pedir prendas, a entrar na onda do consumismo. Não sei até que ponto vale a pena a mentira? Sim, porque convenhamos temos que mentir descaradamente aos pequenos por anos para manter a farsa. No entanto, por outro lado, enquanto crianças, tanto eu como o meu marido acreditámos no Pai Natal. Esta figura mítica fez-me ansiar pela manhã do dia 25 de dezembro durante vários anos e não conheço, para já, ninguém traumatizado por descobrir que fora enganado.

Quando descobri a mentira?
Não me lembro propriamente, mas quem tem primos mais velhos alguns anos, já sabe que a coisa não se mantém em segredo por muito tempo. Realmente não ouve aquele momento, como já ouvi outras pessoas contarem, em que os meus pais foram apanhados (eles deviam ser bons nisso!), então não sei exatamente quando foi, mas lembro-me de eu lhes perguntar e eles me enganarem só mais um bocadinho porque afinal, ele só vem se acreditarmos :) Para mim, a magia do Natal é muito maior do que isto da distribuição de prendas, ela assenta em valores que são o pilar da nossa vida.

Esta é a minha dúvida. Eu não conduzo a minha vida por um determinado caminho porque os outros assim o fazem, eu escolho trilhar aqueles em que realmente acredito. Gostava muito de saber a vossa opinião sobre este assunto. Não se acanhem, deixem nos comentários aqui por baixo e já agora contem como descobriram que afinal não era o homem das barbas brancas que comia os biscoitos que vocês deixavam debaixo da árvore.

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