domingo, 30 de novembro de 2014

Ouvi falar de uma escola... #2

Como já vos tinha dito, na semana passada ouvi falar de uma escola diferente numa formação desformação com Ivana Jauregui. Nesta desformação, como a própria chamou, a certa altura ter canetas e cadernos na mão deixou de fazer sentido, sentir, olhar para nós (para o que os outros nos fazem sentir) era a mais importante das aprendizagens. No outro dia disse-vos que tinha ido à apresentação que decorreu na sexta-feira, certo é que essa apresentação me fez querer participar no sábado também. E também teria participado no domingo, no entanto, um compromisso não me permitiu. 

Já tinha dito que a apresentação não tinha sido como as pessoas previram, acreditem a (des)formação muito menos. Consistiu, de um modo muito básico, na nossa apresentação, não de modo formal, mas falando sobre nós. O que se calhar vão achar estranho e se calhar pensar como alguém, a gozar comigo, me disse: "para saberes a vida dos outros era mais barato utilizar o fecebook". Mas se é certo que as histórias pertenciam aos outros, o que eu sentia quando as ouvia pertencia-me a mim. Então nós não trabalhámos apenas o que levámos para lá, o que controlamos, trabalhámos em conjunto com cada história e cada vivência.

Uma vez (para dizer a verdade, algumas vezes), um professor na universidade disse-nos que não se pode dar aquilo que não se tem. e, apesar de estar a referir-se ao nosso QI e não à educação viva (o homem considerava que quem não sabia história, não sabia nada), acredito que ele estava 100% certo, no entanto, é necessário ter em atenção que um professor fornece mais aos alunos do que meros conhecimentos. Neste sentido, os professores desta escola têm de trabalhar o seu interior, têm de estar bem consigo próprios para poderem estar com as crianças. Sendo certo, que devido às conjuntura atual, a felicidade não abunda quando se fala da carreira docente, não terá esse facto implicações menos positivas nos alunos?

O processo de desescolarização
Quando falamos desta escola ou de outras iniciativas do género surge um tema novo, tão novo que o dicionário online não reconhece, a desescolarização (contrário ao termo escolarização). Geralmente ninguém pensa nas coisas deste modo, a sociedade não quer desescolarizar e sim fazer o contrário. Ao que parece, segundo a Ivana, desescolarizar, desabituar do sistema é uma das fases mais complicadas do processo, uma vez que eles passam a ter bastante liberdade mas não sabem concretamente o que fazer com ela. Interessante que esta é uma fase complicada, da qual já venho ouvindo falar já há alguns anos, quando, por exemplo, alguns colegas tentaram utilizar dentro da sala de aula métodos mais centrados no aluno como o Movimento da Escola Moderna e não conseguiram, sentiram que falharam, que o método era inaplicável. Para já, como todas as mudanças na vida, é importante passar por um período de adaptação que mais ou menos longo, mais ou menos complicado é necessário e que só após muito tempo e fruto de um trabalho conjunto terá resultados. Bem, como podem constatar as coisas não abonam a favor dos professores de hoje em dia, pois não têm muito tempo com os alunos, nem uma equipa a trabalhar com a mesma atitude.
De salientar que, na minha opinião, é neste processo que a criança, ou mesmo o adulto passo a passo perde parte do medo, volta a ser livre e a ter conciência daquilo que o rodeia. Restabelece o que a Ivana nomeou de poder de decisão, a capacidade não só de decidirmos aquilo que queremos para a nossa vida, de fazermos escolhas mas também de sermos capazes de lidar com as consequências dessas escolhas.


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