sábado, 8 de novembro de 2014

Yoga: um espreguiçar consciente...

Hoje o dia começou assim. Tão bommmm!


Eu descobri o yoga há uns anos atrás quando ainda era bem gordinha e fez-me um bem imenso tanto ao corpo quanto à alma. Comecei por fazer num grupo aqui perto, depois, entretanto comprei livros e experimentei em retiros alternativos. Num deles, em Itália, conheci o Vittorio, um senhor praticante e professor de yoga, fantástico, com 70 anos e uma vitalidade de 20. Baixinho, simpático, entendia várias línguas e comia sempre com os seu próprios utensílios em madeira. Tinha um rosto sempre sorridente e um ar sábio que o distingue. Aos quarenta e picos decidiu o seu destino mudando o rumo da sua história, trocou o ramo do direito pelo yoga, pelas viagens, pelo conhecimento do mundo e, principalmente, pelo usufruto da sua própria vida.

Quanto a mim, antes de experimentar esta prática pensava que ela consistia em sentar-se na posição de lótus (o que para mim significava apenas "pernas à chinês") com com os dedos indicador e polegar juntos fazendo "ommmm", enfim, compreendam eu não era mesmo nada entendida no assunto. Além disso, eu não percebia o que levava as pessoas a passarem horas assim.

Agora continuo a não perceber bem do assunto mas já vai dando para os "gastos", pelo menos aqui em casa. Apesar de já não fazer durante algum tempo (até ao final da minha primeira gravidez fazia uma média de três vezes por semana), decidi, enquanto o pimpolho estava ainda a dormir, ir praticar com a pimpolha para o jardim e digo-vos 15 minutos fizeram toda a diferença, parecia outra. Fizemos apenas algumas posições simples com mais enfoque no alongamento e na postura. No que diz respeito a meditar durou apenas 1 minuto, se tanto, mas já serviu para focar-me nos meus objetivos para o dia.

Existem diferentes tipos de yoga, entre eles, Ananda yoga, Anusara yoga, Asthanga yoga, Bikram yoga e Hatha yoga, uns com enfoque mais espiritual, outros com mais ênfase mais física, uns beneficiam o alinhamento do corpo e a respiração, outros a força e a flexibilidade, uns concentram-se mais na parte muscular, outros no bom "olear" das articulações. Enfim, há para todos os gostos. 
Eu não me sigo por uma corrente específica, aliais não tenho qualquer formação no assunto, apenas sou autodidata e tenho em conta alguns princípios:

O respeito 
Penso que o primeiro deles deverá ser o respeito pelo próprio corpo. É deveras importante nunca forçar ou magoar o nosso corpo de forma alguma, a flexibilidade e a força aumentam com o tempo de prática bem como com a consciência de si próprio que cresce a cada dia.

O equilíbrio 
Existem posições já centradas como a postura da árvore, por exemplo, no entanto, as que permitem a estimulação do corpo numa determinada direção, frente, trás ou lados, exigem, para um maior equilíbrio do organismo, a prática de uma posição antagónica. Para este equilíbrio as posições antagónicas não necessitam de ser executadas seguidamente, mas no conjunto de exercícios que a pessoa estabeleceu para a prática nesse dia.

A respiração
A respiração é uma parte essencial do yoga, deve ser feita, na minha mera opinião, sem ser manipulada, isto é, sem ser guiada por alguém. A consciência da respiração, a par da flexibilidade, força e equilíbrio, aumenta com o tempo e deve respeitar a pessoa e o movimento que está a executar. A título de exemplo, existem posturas que fazem um efeito de abrir, outras de fechar e a respiração naturalmente tende a associar-se a esses efeitos. São raros os casos em que se troca a respiração, embora se possa utilizar esse mecanismo para estimular diferentes áreas numa mesma posição.

O tempo
A prática de yoga pode ser benéfica tanto se praticada dois minutos como se duas horas, depende do tipo de prática, do organismo que a está a executar, dos seus objetivos e ainda da disponibilidade, até porque no agitado dia a dia das pessoas comuns não existem duas horas ou três assim tão disponíveis. Se por outro lado, já estiverem de férias, num retiro de yoga, a coisa pode proceder-se de modo diferente, uma vez que estão lá por esse mesmo objetivo. 
Outro ponto a ressaltar acerca deste tema é que numa sessão de yoga mais dinâmica podem ser feitas bastantes posições num determinado período de tempo. Por outro lado, numa sessão que decorra durante o mesmo tempo, pode ser executado um número reduzido de posições permanecendo vários minutos numa mesma posição.
Da minha parte costumo, ou costumava, fazer cerca de meia hora a quarenta minutos por dia, e para não estar sempre a olhar para o relógio costumo definir um número de respirações suaves e profundas para cada posição (entre seis e dez) consoante a minha disposição para esse dia. 

As posições
Existem inúmeras posições e suas variações que podem ser utilizadas no yoga. Para uma melhor explicação, elas podem ser organizadas em três, dependendo da base em que assentam, as que se executam de pé, as que partem da posição sentado e as que se executam a partir da posição deitado. Estas posições, como já foi referido em cima permitem, quando bem executadas, o aumento da vitalidade do corpo através da força, flexibilidade, respiração, posturas corretas e movimentos adequados para entrar e sair da posição. Como é óbvio nem todas têm os mesmos benefícios, sendo necessário organizar as posições para uma sessão tendo em conta tanto os princípios anteriores como os benefícios que se pretendem desenvolver. 
Os praticantes de yoga organizam-se para as sessões de diferentes formas, a partir dos objetivos que pretendem desenvolver (postura, força, flexibilidade, equilíbrio), a partir da posição base (de pé, sentado ou deitado) ou mesmo a partir de uma rotina já mais ou menos pré-estabelecida (como a Saudação ao Sol).
No que diz respeito a cá em casa tento fazer um pouco de tudo (tipo manutenção) e isso faz-me sentir um bem estar geral. Inicio pelas posições de pé, depois pelas que partem da posição base sentado e, por fim, as que partem da base deitado. Para avaliar se a posição está a ser bem executada, é importante inicialmente, enquanto ainda não há uma consciência muito grande do próprio corpo, ter alguém a observar e orientar ou um grande espelho. 

A meditação
Segundo o que já li, as posições físicas do yoga apareceram para dar suporte à posição que sustenta a meditação, para que as pessoas pudessem aguentar muitas horas a meditar. Da minha parte tenho que confessar que não sei meditar durante muito tempo, nem sei muito bem se consigo realmente meditar, é uma arte difícil. 
Existem várias formas de definir o que é meditação sendo que, para mim, fazendo uma analogia com as novas tecnologias, ela como um reiniciar de um sistema para que ele fique mais fresco, limpo e consiga trabalhar melhor. Agora, como é que se reinicia o nosso cérebro? Bem, não é à paulada certamente. Como se consegue não pensar em nada? (já ouvi esta bastantes vezes).Pois bem, felizmente existem várias técnicas para ficar, como eu costumo chamar, no verdadeiro "mundo da lua". Uma delas, por exemplo, é olhar para a chama de uma vela durante alguns minutos e depois fechar os olhos e continuar a tentar visualizar a chama mentalmente, outra que podemos utilizar quando estamos bastante desconcentrados e temos algo para fazer que exige concentração, é parar (importante!), pegar num objecto, uma caneta, por exemplo, e observá-lo durante alguns minutos. Essa observação deve ser pormenorizada: as cores, as pequenas formas e sulcos, a forma como a luz incide no objecto...

A posição
A posição para meditar não tem que ser a posição típica de lótus (a das pernas à chinês com os pés para cima), imagem que muitas vezes associamos ao yoga. Deve ser uma posição confortável (não demasiado confortável, diga-se, não se deite num sofá e diga que consegue meditar, isso não é meditar, é dormir!) em que a coluna possa estar na sua posição fisiológica (natural). Pode ser sentado no chão com as pernas cruzadas (posição semelhante à se lótus), com as pernas dobradas para trás ou mesmo numa cadeira. De referir, que na posição de lótus, as pernas ficam "presas" sendo essa característica baseada na crença de que se contivermos a energia dos membros é mais fácil se concentrar e, portanto, meditar.

O tempo
Tal como o desenrolar das asanas (posições do yoga) no yoga, meditar pode levar apenas alguns segundos ou muitas horas, depende do objetivo e da pessoa que está a praticar.

Sobre esta temática muito mais haveria a dizer, nomeadamente no que diz respeito aos benefícios, ao ambiente, ao local e à hora do dia, mas fica para outra altura.
No nosso caso, cá em casa, privilegiamos o que nos faz sentir bem, consoante o nosso ritmo. É uma terapia que gostamos de fazer pela manhã. Na minha mera opinião é um oxigenar, um despertar, um espreguiçar consciente.

Deixo-vos com os sons que temos por cá quando meditamos :)




Tenha em atenção que o texto acima elaborado é apenas uma síntese muito básica do que diz respeito ao yoga. Se pretende iniciar-se nesta prática, é de extrema importância ter noção das posturas em si bem como da sua condição, devendo, por isso, consultar um profissional adequado. 

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