quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Conversas sobre a amamentação #1: a minha mama, a tua boca...

Com esta postagem não tenciono, de modo algum, ferir susceptibilidades, mas para começar vou já desmistificando o assunto, amamentar nem sempre é fácil, gostoso e a melhor coisa do mundo! A respeito deste assunto tem muito que se lhe diga, a favor ou contra, no entanto, que fique bem claro, que apesar da minha opção bem estabelecida sobre o assunto, respeito quem defende o contrário.

A minha relação com a amamentação
A minha filhota teve logo uma atração intensa pela minha mama mal nasceu, nunca houve aquele problema do não consegue mamar, do não pega com vontade, aliás vontade era coisa que não lhe faltava. Eu é que não estava preparada para o vigor dela e, infelizmente, não tenho as melhores recordações do início da amamentação. Noites mal dormidas, mamilos em ferida, palpites dos outros que aconselhavam a dar o leite de lata que era igualzinho ao da mamã (isto não era por maldade, acreditem, era só por ignorância), a sensação de que esta fase nunca mais teria fim, em nada colaboraram para a boa relação entre a minha mama e a boca de outra pessoa.

Mas não me podem culpar, eu não tinha ideia que dar de mamar era assim! Nunca ninguém falou comigo sobre o assunto, assim uma conversa onde não se pinta tudo de cor de rosa só porque a mulher está grávida, em que se esclarece melhor determinados assuntos. Parece que existe um grupo especial de mulheres (ou uma vertente das que já conhecias antes) ao qual só se pertence e conhece a partir do momento em que já somos mães, porque antes de o seres, pouco se fala realmente e o ter filhos é repassado como "a melhor coisa do mundo"! Reparamos que existe este grupo quando contamos a uma mãe, que nunca tocou no assunto mesmo quando falávamos do mesmo, sobre o facto de que a amamentação foi dolorosa no início e ela nos responde que com ela aconteceu exatamente o mesmo. Mas porque ela não podia ter dito antes?  

Mas voltando ao assunto da amamentação, o certo é que mesmo com os mamilos em ferida, fisgadas que se sentiam nas costas, mamas doloridas, nunca pensei em desistir (oh mentirinha, pensei nisso uma carrada de vezes!) mas nunca o fiz, os animais não desistem, o leite de lata não é igual ao das mães e eu ia alimentar a minha filha. Verdade é que algumas semanas depois, três penso eu, tudo começou a melhorar e amamentar deixou realmente de ser doloroso, passando a ser até agradável e um momento especial só nosso (durante o dia, porque, admito, durante as múltiplas vezes que acordava durante a noite não tinha a mesma magia).

Ok, eu tinha uma ideia mesmo romântica da amamentação, principalmente quando via aquelas imagens super queridas de mães a amamentar, na quais, se podia ler algo como: dê de mamar ao seu filho, o seu leite é o melhor alimento para ele. Ora, eu na minha ignorância pensava, mas porque uma mãe não haveria de querer amamentar? Eu soube a resposta a isso quando, nos primeiros dias, só de aproximar a boca dela à minha mama, já fazia aquela cara de "vem aí tempestade!" mas de uma forma enfática mesmo, nada levezinho. Mas depois notei que logo após as primeiras mastigadas na minha mama a coisa começava a melhorar, era mesmo só o início que era mais doloroso. Mas porque nunca ninguém me disse isso? Porque é que falar sobre amamentação é um tabu? Porque em vez de dizer mamas dizemos seios? Para já somos mamíferos e seios são cavidades na cabeça, portanto estamos a atribuir um significado errado a este termo. Porque é que as mamas são tão erotizadas que podem ser mostradas como se nada fosse na praia ou na televisão e, no entanto, temos de nos esconder para dar de mamar e o que é fantástico, é que nem é por nós, é mesmo para não incomodar os outros. Porque as pessoas se incomodam tanto com uma mãe a dar de mamar? Não se esqueçam que amamentar é simplesmente natural.


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2 comentários:

  1. revejo-me tanto nestas palavras... Eu até tive a experiência da minha irmã que não me escondeu os pontos negativos, mas realmente é preciso muita vontade para insistir.. E toda a gente bate palmas nos primeiros meses, mas a partir de uma certa altura todos julgam e tentam demover "ela já come sopinha, dá-lhe antes biberão", ou "ela é tão magrinha, é melhor dar leite em pó", ou "vai ficar muito dependente da mãe, tem de deixar a mama" ou ainda o típico "então a gaiata já anda e ainda mama? vai mamar até aos 30?"...

    ***rita

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    1. Palpites é o que não falta :) Seja num sentido seja noutro, eu não ligo, faço de conta que não ouvi. Também como as pessoas sabem que tenho assim umas ideias "diferentes" já nem ligam, muitas vezes acham é piada (claro que depois, quando eu já não estou, se calhar comentam alguma coisa, é normal, não levo a mal).

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