quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Fed Up - documentário (2014)

Atualmente quase todas as pessoas que conheço vão ao ginásio ou, regularmente, fazem algum tipo de exercícios como caminhadas, por exemplo. No primeiro dia do ano, à noite, fruto das promessas de ano novo, julgo eu, é fantástica a quantidade de pessoas que vejo correrem na praia. Cada vez mais, o fazer exercício físico é normal e até desejável, no entanto, nem sempre foi assim e, pelo menos onde moro, fazer exercício era considerado até há bem pouco tempo (10 anos, se calhar) uma vergonha sendo até motivo de gozo (por parte dos outros, claro). 
Saliente-se que este foi um processo gradual e inicialmente, as pessoas só passeavam, depois começaram a andar um pouquinho mais depressa, reduzindo a velocidade quando passavam por alguém conhecido com aquela cara de "estou só a passear!" e agora uns correm enquanto outros juntam-se em grupos para fazer caminhadas e conversar. A título de curiosidade, a propósito da vergonha ou gozo, nessa altura, de vez em quando também nós íamos fazer exercício e o meu pai, no gozo, perguntava onde era o fogo que iamos apagar, tal era a pressa :)

Tal como com o exercício, também cuidar da nossa alimentação está na moda. Cada vez mais, as pessoas perdem também a vergonha de ir ao nutricionista, em dizer aos outros que querem emagrecer (sim, porque antes quando eram elogiadas depois de uma dieta super restritiva e períodos tormentosos de fome ainda tinham lata de dizer "achas que estou mais magra? Nem estou a fazer nada para isso"), em consumir produtos light, pois todas as grandes marcas os têm. Antigamente, não havia produtos light e as "ajudas" que hoje em dia a indústria fornece para emagrecer, no entanto, as pessoas que não praticavam tanto exercício e comiam sem grandes cuidados eram mais magras. Como é que isso é possível? O documentário que assisti neste fim de semana Fed Up responde precisamente a essa questão. Porque é que cada vez se investe mais na luta contra a obesidade e o resultado é precisamente o oposto?

Tudo está feito para consumamos cada vez mais e façamos mais exercício, o que ainda nos leva uma uma sensação extraordinária de culpa (que esta indústria é perita em nos fazer sentir). O que se transmite basicamente é que se és obeso é por uma das duas razões ou comes demais ou fazes exercício de menos, seja lá como for a culpa é sempre tua. Gostar de comer bastante e ser-se magro é engraçado, mas gostar de comer muito e ser gordinho tem uma conotação completamente diferente, é muito mais negativa, muito mais deprimente. Nesta ordem de ideias, se comes menos do que outra pessoa que até come bastante mas é magrinha, é porque não fazes exercício suficiente.

A propósito do exercício, temos um conhecido programa de televisão, o Biggest Loser, em que se faz exercício de manhã à noite (como se uma pessoa comum tivesse tempo para fazer aquilo no seu dia a dia) e não é por isso que muitos deles têm facilidade em emagrecer, muito pelo contrário, existem semanas em que não perdem peso ou até engordam. Mesmo relativamente às que emagrecem, se não conseguem depois manter aquela quantidade de exercício e engordam, deve ser porque ser magro não é para elas. A coisa tem de ser mais fácil.

Vejamos, por exemplo, o caso dos profissionais da área, os nutricionistas, detentores de tanto saber que nos mandam fazer quase todos o mesmo "4 bolachas de água e sal ou 1 fatia de pão torrado ou...". Eu também já fui ao nutricionista (quando era gordinha) e digo-vos, passei fome! Sim, emagreci é verdade, uma ninharia que rapidamente voltei a ganhar e o desgraçado ainda me mostrou aquela cara de não tens te esforçado o suficiente. "Tens que andar mais, gastar mais calorias!".Mais tarde emagreci de facto, mas não foi devido a este tipo de abordagem.

Calorias, outro tema muito interessante. Sabem, aqueles bichinhos fantásticos que encolhem a nossa roupa durante a noite? Já li isto em qualquer lado.
Sempre me fez confusão (isto porque também já estive em ginásios) como é que eu podia suar em bica, fazer um esforço descomunal e depois ter perdido as calorias equivalentes às de um sumo. Ficava bem desanimada. Na verdade, para emagrecer tive que começar a comer muito mais calorias do que comia antes (podem não acreditar mas é verdade), o que de facto não corresponde a essa teoria de que as calorias são equivalentes em todos os alimentos. Ora compreendamos, o mesmo número de calorias num sumo (principalmente num artificial com alto teor de açúcar) e numa pera não significa que vão ter a mesma repercussão no nosso organismo, naturalmente o sumo engordará muito mais, uma vez que é muito mais rapidamente absorvido, não tem fibra para regular esta absorção, o mesmo acontece com o arroz branco e o integral e assim por diante. Em suma, por contarmos calorias e nos esforçarmos por manter abaixo de um determinado número, é um esforço inglório que não garante emagrecimento.
Atenção, não quero com este texto dizer que é mau fazer exercício, muito pelo contrário, é ótimo tanto para o corpo, quanto para a alma, no entanto a solução para a obesidade não passa, na minha opinião, por nos sentirmos culpados e sermos escravos deste, tal como não passa por consumir mais produtos light ou mais proteínas.


Podem assistir ao filme aqui. Digam-me a vossa opinião sobre o mesmo.

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