quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O que somos, para onde vamos: 2015 vem aí

A vida se inicia uma vez quando, por alguma razão que desconhecemos, vimos parar aqui. Damos a primeira inspiração e sentimos o ar entrar em nossos pulmões, sentimos ele contornar no nosso corpo quente e frágil e tomar conta de nós. Se tudo correr normalmente, temos um sexo definido, dão-nos um nome, vestem-nos, cuidam de nós como se fossemos a coisa mais importante à face da Terra, somos alguém. Alguém em bruto, uma força da natureza que ainda nem sabemos bem como apareceu aqui, como se gerou em nós, como e porquê ocupou este corpo. Trazemos qualquer coisa diferente, a alma, aquilo que somos, que nos dá energia e não me digam que não, que uma alma não se vê, que não existe, porque corpo sem alma está vazio, não tem energia, morre. E não se achem superiores porque somos gente, não pensem que somos os únicos beneficiados com essa coisa de alma, outros seres também foram presenteados com ela, os animais e acreditem, as plantas também. 

Eu não me lembro bem do dia em que nasci, quer dizer, eu não me lembro de todo, nem mesmo dos dias a seguir. Ouvi dizer que foi numa segunda-feira, que não dei dores para nascer, não sei como, não havia epidural e também não foi de cesariana. Na verdade, não faço a mínima ideia se foi assim ou assado, mas dizem-me que foi e, por enquanto, acredito. Esse nascimento foi apenas o primeiro, de entre os que conheço, claro, mas ao longo da minha vida, existiram outros, outros que me deram a oportunidade de recomeçar, umas vezes por vontade própria, outras por força das circunstâncias.

A vida é feita de ciclos, de recomeços, o dia recomeça a cada 24 horas, o ano muda a cada 365 dias e seis horas. Até as estações do ano são prova disso, afinal a primavera volta sempre, a mocidade é que não volta mais. A qualquer altura da nossa vida podemos mudar, recomeçar, seguir novo rumo, qualquer direção, para trás é que não dá mesmo, pelo menos até onde compreendemos bem os conceitos inerentes às curvaturas espaço/tempo. Seja como for, precisamente por não andarmos para trás, temos a oportunidade de recomeçar mas, a vida é generosa, não nos faz voltar ao princípio, dá-nos várias oportunidades e, em cada uma delas, sabemos mais qualquer coisa, que em princípio é relevante para o percurso. Não é por acaso que se ouvem frases como "se eu tivesse 20 anos e soubesse o que sei hoje!". Ainda há dias pensei nisso, teria feito algumas coisas diferente, mas se calhar se tivesse feito diferente na altura isso não me faria sentido e o percurso não seria o mesmo. Então, provavelmente, para sabermos o que sabemos hoje, temos mesmo que passar pelas experiências que nos fizeram aprender, o que não acontece de um dia para o outro. A vida não se procede em linha reta como o conceito de tempo nos leva a pensar, se calhar parece-se mais com um grande labirinto cheio de cruzamentos e entroncamentos em que existe uma única regra, jamais podes andar para trás. Neste labirinto temos a oportunidade de passar pelo mesmo lugar várias vezes, no entanto, a cada vez que passamos não somos os mesmos, já sabemos mais porque vivemos mais, passando então a um nível superior e formando uma espécie de espiral em subida.

2015 vem aí, se estão vivos, e em princípio se estão a ler este texto, é porque devem estar, aproveitem mais esta oportunidade para recomeçar. Embora o possam fazer a qualquer altura, não deixem de aproveitar momentos mais marcantes. Façam as pazes com o passado e olhem para o futuro, abracem novas metas, tendo consciência que elas não são definitivas, pertencem somente a uma parte deste percurso e apenas vos levarão mais adiante, a novas escolhas e novos caminhos. A todos, mesmo todos, um excelente 2015. Que entrem no novo ano com o pé direito, junto com a família e amigos e que as escolhas que fizerem, sejam elas quais forem, vos tragam momentos muito felizes. 







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