sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cosleeping (dormir junto): era bom, era... (desabafo depois de noite ruim)

Para quem não sabe o que é o cosleeping, vou desmistificando já o assunto. O cosleeping trata-se de dormir junto, mesmo que até nem seja na mesma cama, pode ser simplesmente no mesmo quarto. Claro que pode ser na mesma cama (mas aí já teria o apêndice de bedsharing), enfim, estrangeirismos à parte, traduzido à letra como partilhar a cama. Pá, não ponham já a carruagem à frente dos bois com aquela do vamos traumatizar as criancinhas para o resto da vida se dormirmos juntos, se vocês, caros leitores, não gostam de dormir juntos, há quem goste. Mais, quando o menino já dorme no quarto sozinho é uma festa, uaaauuuu, o pais voltam a ter privacidade, mas que falta de imaginação, credo. Se a vossa vida sexual se prende a uma cama, entre quatro paredes, que tal inovar, conversar mais um pouco sobre o assunto, fazer pesquisa, sei lá, o que entenderem. Se se sentem bem com isso, também não vejo razão para alarme, fantástico (e não estou a ser irónica, a sério) o importante é que se sintam bem com as vossas escolhas. Também uma palavrinha especial aos senhores psicólogos (ou psicólogas) que gostam de dormir bem acompanhados e aconchegados com suas esposas (ou esposos, conforme) não venham criticar nem os bebés nem os pais que dormem junto com os filhos, porque se as crianças têm de ser fortes para dormir no seu quarto completamente sozinhas e indefesas, então vocês do alto dos seus 30, 40 anos também não o deveriam ser? Vá, toca a colocar os parceiros num quarto à parte, vamos todos ser independentes. Ah, esperem, gostam de dormir acompanhados? se calhar grande parte da humanidade também, incluindo as indefesas criancinhas que gostam de estar enroscadas no calorzinho da mãe. Sim, se mãe e filho gosta, eles NÃO são anormais, evitem de meter o bedelho na vida alheia.
Eu, na verdade, nem me posso queixar muito porque cada vez que vinha por algum motivo o assunto à baila e eu referia que fazia questão que os meus filhos dormissem comigo, nunca ninguém me disse nada a esse respeito, mas alto lá, não disseram, mas pensaram, funciona do mesmo modo. Seja lá como for saiu-me o tiro pela culatra, como se costuma dizer.

Hoje estou irritada, já acordei assim, vim direto da cama para me sentar à frente do computador e exorcizar as minhas energias negativas, se é p'ra mais tarde recordar, é para recordar TUDO. Vá, eu até compreendo que a minha noite não foi tão ruim assim, os putos podiam até estar doentes, podia ter acontecido de facto uma desgraça, mas o que aconteceu é que eu não dormi e ESTOU A PASSAR-ME COM ISSO. Só para vocês perceberem, eu adoro, mas adoro mesmo dormir encostadinho ao marido, esteja frio ou calor, é sempre assim. Nesta noite, a certa altura, ambos os bebés choraram ao mesmo tempo ainda por cima pela mesma pessoa, ou seja, euzinha, fantástico! Levantei, peguei no bebé e o marido foi buscar a pequena ao quarto dela. Amamentei o mais novo e coloquei um de cada lado para dormirmos no calorzinho da mesma cama. Estava eu toda feliz e tudo, eles adormeceram, está tudo bem, foi só duas vezes que acordaram. Um em cada braço, felicíssima da vida (o marido também) lá fechei os olhos, não é que eles desatam a chorar os dois, como é possível? Vocês estão seguros, ao lado da mamã e do papá e ainda se queixam? EU SÓ QUERO DORMIR MAIS UM BOCADO. Que loucura, pensam também as mães mais extremistas noutro sentido, porque também as há, as criancinhas certamente inseguras a meio da noite, estão a sofrer, que insensibilidade a desta mãe, só quer dar-se ao luxo de dormir. Será que ela não sabia que ia ser assim a maternidade? Mas voltando à história que até tem o seu quê de engraçada, estão os dois a chorar, peço ao marido para colocar o mais novinho no berço (ah ah ah, apanhei-te pensam vocês, então uma defensora tão acérrima do cosleeping não dorme junto com eles? Pois bem, vocês já vão perceber porquê), dez segundos depois (se tanto) ele acalma-se e dorme. Quanto à menina que remexe e volta a remexer, acorda e volta a acordar, a certa altura já passada pergunto-lhe: - Queres ir p'ra tua cama? O que é que ela me responde? O quê? - Simmm. 

Sim, é oficial, os meus filhos não gostam de dormir com os pais. Eu, tão acérrima defensora do cosleeping, há uns tempos atrás não diria  que isso iria acontecer, por isso, caros pais adaptem-se. 
Mas pensam que a noite terminou por aí? Cá nada, entre dorme numa cama, dorme noutra, acorda p'ra dar de mamar, acorda porque ela tem pesadelos, acorda porque ele quer mamar novamente, acorda porque ela acordou de novo. Ah! Afinal já é de manhã e a pequena até tem razão, é hora de levantar (eu é que estou morrendo de sono, mas isso é só um pormenor com o qual vou ter de lidar o dia inteiro). 

Yap, a minha filha dormiu com os pais até eu perceber que sempre que eu ia dormir para o pé dela, vinte minutos depois ela acordava. Ela, infelizmente tanto para mim como para ela, nunca teve uma relação muito boa com o sono, se calhar não gosta de dormir, tem direito a isso (mas o resto da família não tem culpa). Quando nós dormíamos juntas, ela na realidade acordava mesmo muitas vezes assustada (às vezes de 10 em 10 minutos e não é exagero da minha parte), logo a partir da primeira noite que dormiu só, acordou só duas ou três vezes, às vezes já só uma ou mesmo nenhuma (não, não foi o caso desta noite). Podem também concluir, como dizem alguns "especialistas" (ai como eu adoro especialistas), que, como estávamos afastadas, eu é que não ouvi ela chorar e, por isso, digo que ela acordou menos vezes, nada disso. em primeiro lugar, ela sabe se fazer ouvir MUITO bem, em segundo eu sou aquele tipo de mãe, que acordo antes dela acordar (não gozem, principalmente, se ainda não são mães, isso acontece quase sempre desde que eles nasceram, não sei como, não entendo, mas eu sei antes deles acordarem que eles vão acordar, a sensação é parecida a dar um passo em falso, e eu simplesmente abro os olhos e sei que algum me irá chamar em poucos segundos. 

Com o pequeno também foi estranho, como ela dormia bem no meu colo, eu embalava. Bem, eu embalava, embalava e ele? E ele? Ele chorava. A certa altura, já pelos cabelos, coloquei-o no berço, em poucos segundos adormeceu. E tem sido sempre assim.

Resumindo a coisa, apesar de muito cansada, depois de escrever o texto até já nem consigo manter a energia negativa inicial, passa rápido, a noite foi péssima sim, estou cansada, sim, tenho um dia inteiro pela frente com eles, uma casa para limpar, disfarces de Carnaval para pensar e uma reunião às 16 horas. (A pequena está a dizer-me que conseguiu comer o puré de fruta sozinha, adoooooro estes momentos :) E não derramou nem uma gotinha). Continuando, para aqueles cujos filhos querem dormir sozinhos, respeitem-nos, porque não? Afinal nem todos somos iguais e gostamos de dormir com alguém ao lado. Para os outros pais, cujos filhos não querem dormir sozinhos, não desesperem, nem se sintam culpados pelo que os outros consideram o certo, respeitem também, porque garanto-vos, eles não quererão ficar na vossa cama para sempre. Provavelmente, eles sentem-se apenas indefesos, querem sentir o vosso calor, sentir segurança pois, embora a nossa sociedade proclame o individualismo, a socialização, quer queiramos quer não, o natural não é estarmos sós. Se os pais não dormem sós porque queremos que eles já sejam fortes e independentes com um mês ou mesmo com um ano ou dois de idade. Eles são crianças e precisam de nós, a nossa função é protegê-los, não se sintam culpados por isso.

Só um aparte, como percebi que a minha filhota poderia afinal não achar tanta piada ao facto de dormir com a mãe. Aqui ao lado temos um terreno no qual de vez em quando colocam uma vaca a pastar. No ano passado a vaca tinha um bezerro e o interessante é que quando dormiam, não compunham aquela imagem de aninhados como costumamos ver nos mamíferos. ficavam a cerca de 10 metros um do outro.


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