quinta-feira, 12 de março de 2015

Momentos nossos, as nossas escolhas

Não tenho andado por aqui, pelo blog entenda-se (pequenos a dormir, é uma boa hora). Tenho me dedicado esta semana à família, a perceber melhor nossos ritmos, a dançar, passear e desenhar com os pequenos. É uma semana dedicada a nós que veio sem planos, sem que pedisse, foi uma necessidade que simplesmente aconteceu. Digamos que nestes dias andamos recolhidos, refugiamo-nos num mundo só nosso. Não sei se por se avizinhar mais uma mudança de estação, mas a necessidade de refletir, de planear, de efetuar mudanças, de progredir no sentido de uma cada vez maior simplicidade voluntária está a ganhar uma dimensão considerável nos nossos corações. Agregada a esta vontade, como não poderia deixar de ser existem escolhas, caminhos a percorrer, medos a ultrapassar. 

Relativamente às escolhas, todos os dias as fazemos. Elas são parte de nós e não as podemos evitar, até porque ao não fazer nada, estamos, necessariamente, a efetuar uma escolha. Os caminhos que trilhamos ao longo da nossa vida, acabam sendo consequência da nossa escolha, neste âmbito, será que temos a vida que sonhámos, será que podemos fazer com que ela aconteça? Então se não somos felizes, a culpa é nossa? 

Hoje não tenho respostas para vós (numa receita poderia dizer-vos adicionem mais sal ou deixem mais tempo no forno, era mais fácil) mas quero falar sobre este tema, não tanto no que diz respeito a quem escolhe mas aos outros, a quem cabe respeitar essas escolhas.

Eu escolhi dedicar-me à família, em função disso, no final do mês não recebo um ordenado que me permitiria algumas extravagâncias, não me importo, é a minha escolha, vivo muito bem com isso. Por outro lado, conheço pessoas que fazem precisamente o oposto e sentem-se muito bem e, mais uma vez, também vivo muito bem com isso. 

Hoje deparei-me com escolhas de outras pessoas e com o facto destas não serem facilmente aceites por terceiros. Tenho um amigo que teve de emigrar, que teve recentemente que encontrar trabalho lá fora, como tantos outros madeirenses mais uma vez. A namorada (moravam juntos já há alguns anos), além de ter emprego, não se sentia bem em ir, não queria estar longe da família, dos amigos. Neste âmbito, decidiu ficar cá e manter uma relação à distância. Ambas as famílias não se conformam porque acham que eles deveriam ficar juntos lá ou cá. Mas o que é que o pessoal (família inclusive) tem a ver com isso? 

São escolhas, não me cabe a mim decidir por eles, ele podia ter ficado cá? Certamente, era outro caminho, teriam que que remediar com um ordenado mais pequeno mas ficavam juntos. Ela poderia ter escolhido ir com ele? Sim, mas provavelmente não se iria sentir feliz num país distante, sem os amigos e a família por perto, no entanto, ficavam juntos. Há outros casais que foram ou ficaram juntos, foram as escolhas deles, o caminho deles.

Há algo que nunca ninguém deveria ser desprovido, da liberdade de escolher, de optar sobre como quer viver. Agora existem cada vez mais pessoas que optam por um estilo de vida mais simples, no entanto, aqueles que têm muita vontade de ser ricos ou que gostam da vida citadina, atribulada (eu vejo assim, não quer dizer que os outros vejam), têm de ser respeitados por suas escolhas. Desde que a nossa liberdade de escolha não interfira com a liberdade do outro, ela é sobretudo um direito de cada um de nós. vamos lá ser mais tolerantes. Há espaço para todos!

Ah! E sendo certo, que as escolhas são somente nossas, lidar com as suas consequências também nos cabe a nós e, certamente, isso fará parte do processo. Muito amor para todos, sobretudo para aqueles que, por uma razão ou por outra optaram por trilhar um caminho fora daqui <3.

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