segunda-feira, 20 de abril de 2015

Vamos "destralhar"? Vamos simplificar a nossa vida?

Na semana passada andei ausente do blog, isto porque necessitei de "destralhar" a minha casa o que dito por palavras mais simples, significa arrumar a casa com mais consciência do que é normal. 

Quer admitamos ou não, a maior parte de nós é um acumulador de materiais desnecessários à nossa existência. O facto de haver um acumulo de coisas de que não necessitamos à nossa volta só nos prende, nos confunde, impede-nos de avançar, de ver com mais clareza aquilo que realmente importa. Na passada segunda feira comecei por abrir gavetas e armários e encontrar coisas maravilhosas que eu havia "perdido" há alguns anos. Pensei logo que se estivessem à vista, eram utilizadas com certeza, então quis guardar de novo. Guardei, dobrei e coloquei no lugar de novo mas logo percebi que "se eu não senti falta disto por dois ou três anos, para que é que eu quero isto agora?". Assim, neste âmbito, comecei a pensar no que realmente me fazia falta para o dia a dia, naquilo que realmente utilizamos.

Na cozinha aconteceu-me a mesma coisa, tenho imensos apetrechos fantásticos, cortadores de biscoitos (que só uso no Natal), copos e mais copos (e só uso frascos que reutilizo, aliás só isso dava um post), taças e mais taças, uns 30 pratos (quando somos tão poucos, deixei só 6), cortador de pizza (que nunca uso, costumo usar a velha e boa faca), enfim mais uma série de coisas que são fantásticas e extremamente úteis mas que, se formos ver bem, utilizo de muito em muito tempo, ou até nem isso. Retirei, algumas coisas guardei porque necessito para quando cozinho para eventos, outras ofereci. No dia a dia decidi simplificar. O que necessito para trabalhar vou colocar num local diferente e só retirar quando é necessário (estou a falar no futuro porque ainda não fiz essa parte).

Foi uma semana cansativa, mas admito que a primavera ganhou um novo sabor, novas cores cá em casa. Parece que a energia voltou e o tempo se desenrola de uma forma diferente, é como se o ar estivesse menos pesado. Um amigo a quem falei sobre isto disse-me que  apenas fazia este género de arrumação / limpeza quando mudava de casa, que quando arrumava o quarto das tralhas rapidamente ficava igual e que às vezes a vontade era fechar à chave, deita-la fora e arranjar um local novo. Achei piada, mas a verdade é que é isso mesmo na maioria das arrumações, mudámos de sítio, acomodamos com mais jeitinho com aquela esperança de que um dia aquilo nos venha a dar jeito e na verdade, anos mais tarde, já mais desapegados acabamos por deitar para o lixo na mesma (embora eu tenha um outro amigo que não joga nada fora, não dá, não oferece, nem sequer vende, estão a ver o tamanho do apego? Nem sei como ele vai à casa de banho ;D).  

Atenção que passei uma semana nisto mas ainda não acabei. Não porque tenha muitas coisas ou uma casa muito grande mas porque fazer este género de mudanças é desgastante, não apenas num contexto físico mas também emocional. É difícil decidir, por mais descontraídos que sejamos, é difícil se desapegar, é exercício bastante intenso que vos desafio a experimentar. Agora que estamos na primavera, comecem por abrir uma simples gaveta, ver tudo o que têm lá dentro, sentir, pensar nas memórias que vos trazem, nas histórias escondidas por detrás. Pensem na verdadeira utilidade de cada objeto, se realmente o utilizam ou não (embora ele até seja útil), sintam a sua energia. Uma boa sugestão que tenho para vós é que guardem numa caixa ou baú objetos marcantes das vossas vidas, um conjunto de objetos que sejam capazes de contar a vossa história, que vos remetam para o passado para situações, emoções e locais. Isto é algo que tenho há algum tempo já e é um verdadeiro tesouro para mim. Este tesouro contempla um pequeno conjunto de objetos que guardo com muito carinho em que cada um deles é uma viagem no tempo, um relembrar de memórias que não quero perder. Conforme o tempo passa, acrescento um novo objeto, uma nova memória digna de ser revisitada e contada um dia mais tarde. A minha proposta consiste em acompanhar os ciclos da natureza e deixar entrar na vossa casa a energia leve da primavera. Desapeguem-se dos bens materiais desnecessários e façam circular a energia estagnada tanto nas vossas gavetas e armários como na vossa vida. É um grande esforço, eu sei, mas vale bem a pena.

Atenção que, o para nós é desnecessário, pode ser útil a outros, só deitei fora aquilo que era mesmo lixo, o resto doei e algumas coisas ainda tornei a guardar, ainda que noutro local (mais afastado da vista). Ninguém disse que eu era perfeita. Ainda há muita coisa a trabalhar por aqui também. Um beijinho grande a todos e uma boa semana. 

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