sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Metamorfoses

Mudo como o vento que se aproxima. Não me fico, nem quando essa deveria ser a opção mais acertada (como se houvesse um caminho certo, ou pelo menos soubéssemos qual seria). Não há muito tempo pensava que só eram válidas as cores primárias, brilhantes, verdadeiras, esquecia-me das diversas tonalidades de cinza, dos diferentes tons de verde de uma floresta selvagem, dos diversos castanhos e laranjas que pintam as árvores no outono. Não, não mudei tudo aquilo em que acredito, mas aos poucos fui colorindo a minha vida de cores que nem sabia que existiam. Não me refiro às grandes mudanças, as quais entre uma linha ou outra fui dando a entender ao longo das postagens do blog, falo das pequeninas, daquelas já depois da mudança de alimentação, de vida, as quais julgava estarem 100 % certas mas que agora sei, reconheço, havia ainda mais a aprender.



Aprendi a olhar para tudo de uma outra perpectiva e diferentes tons de azul surgiram neste mar revolto de ideias que onde a razão pode navegar no limiar do conhecimento. Há uns meses, vi-me num vídeo antigo. Tinha 19 anos. Definitivamente, não gostei do que vi, aquela não era eu. Não falo dos centímetros a mais no abdómen ou das bochechas redondas, era a minha energia forte, determinada, as minhas convicções apoiadas numa arrogância de pensar que sabia tudo quando não sabia nada. Os anos passam e ainda bem :) nós vamos sofrendo pequenas metamorfoses quase sem dar conta, crescemos, aprendemos. Dei por mim a pensar que não queria voltar a trás e isso liberta-me o peito, a alma... liberta-me do tempo, da escravidão da juventude e permite-me respirar com serenidade. Dá-me tempo para viver no presente, no agora. Agora é o momento.

Na verdade, eu não era diferente de qualquer cidadão comum, comia e vivia de acordo com os parâmetros da nossa sociedade e simplesmente não pensava muito nisso. Quando mudei a minha alimentação abriu-se um novo mundo para mim, equiparável ao ato de renascer. Passei a pertencer a algo completamente diferente, era como se tivesse tomado uma espécie de comprimido que me fazia realmente observar tudo à minha volta de um modo mais atento, mais conectado. A mudança de alimentação, quando conheci a alimentação macrobiótica foi só e tão somente o levantar de uma ínfima ponta do véu. Hoje falo de metamorfoses, de (in)certezas que se vão modificando com o tempo. Para quem ainda não sabe, tenho intolerâncias alimentares que me perturbam desde criança, principalmente no que diz respeito a alimentos como o leite e derivados e a alimentos com glúten. Não foi fácil descobrir o porquê de tantas diarreias, o porquê de tantas paragens de digestão, principalmente nas noites em que acordava para imediatamente vomitar, o porquê de tanta azia que me fazia querer arrancar o esófago e dormir sentada durante a noite, o porquê das dores, da barriga que inflava tal qual balão de um momento para o outro. Enfim, foram alguns anos com muita falta de energia, de vida, a sentir-me mal, a tomar comprimidos que me faziam vomitar ainda mais e exames invasivos e desnecessários.

Quando alterei a minha alimentação, nem acreditava, em poucos dias, como se fosse magia tudo mudou. Com essa mudança veio a energia, a vida e a vontade de mais e mais, de me sentir cada vez melhor. Inicialmente, eu via a alimentação macrobiótica como a única resposta, li imenso e aprendi bastante. Aos poucos, vieram ao meu encontro novas ideias sobre alimentação e a alimentação macrobiótica foi apenas se convertendo em ponte de passagem de conhecimento. Isto porquê? Questionam vocês. Bem, fui conhecendo novos tipos de alimentação cujos princípios foram complementando o que já tinha aprendido anteriormente como  o veganismo, o crudivorismo, a alimentação sem muco e a paleo, todas elas com teorias plausíveis e com resultados muito positivos no que diz respeito à recuperação da saúde e energia. Então que tipo de alimentação temos cá em casa? O que há de comum em todos estes tipos de alimentação? Para começar, não seguimos estritamente um tipo de alimentação, aproveitamos sim os ensinamentos de cada uma delas e adequamos à nossa família, aos nossos, gostos e à nossa vida. Em segundo lugar, a nossa alimentação assenta no princípio fundamental que é comum a qualquer um dos tipos de alimentação enunciados, em comida de verdade, excluindo os alimentos processados industrialmente e todos os aditivos sintéticos que não possam ser adequadamente metabolizados pelo nosso organismo.

O tema metamorfoses não surge por acaso, surge da necessidade do momento, das mudanças que vão tendo lugar na nossa vida. Somos macrobióticos? Não, não baseamos a nossa alimentação em cereais e evitamos as leguminosas. Somos veganos? Não, já fomos durante quatro anos, neste momento comemos ovos e peixe embora grande parte das nossas refeições ainda sejam veganas. Somos crudívoros? Não, mas reconhecemos os benefícios dos alimentos crus e tentamos incluir em todas as refeições. Somos paleo? Não, preferimos não comer carne, porém temos em conta que quando o homem se transformou naquilo que é hoje (Homo sapiens), ainda não havia a prática da agricultura e, portanto, os cereais não fariam parte da sua alimentação. A verdade é que não pertencemos a nenhum grupo específico e ao mesmo tempo fazemos parte de todos eles. Somos o quê então? Somos pessoas e não rótulos! Temos cuidado com aquilo que comemos, tal como noutros aspetos da nossa vida e é só isso.

É de salientar que conheço várias pessoas que seguem extritamente um  destes tipos de alimentação. Todos referem se sentir muito bem e, claramente, ter recuperado saúde. Eu, à minha maneira simples e sem julgamentos, gosto de observar de fora. Acredito sim que todos têm uma parte da razão, mas não acredito que nenhum esteja 100% correto.

Tenho vergonha de admitir que mudamos, que estamos num processo de aprendizagem? Não, nem um pouco. Sinto-me bem comigo própria, faço o melhor que sei com os melhores recursos que tenho no momento. Acredito verdadeiramente que ninguém está 100% certo como eu um dia pensei estar e que a harmonia se encontra num ponto de equilíbrio qualquer entre o tudo e o nada. Sim, num qualquer, porque provavelmente a minha zona de conforto difere da sua ou da do seu vizinho. Não há muito tempo, acreditava que havia um tipo de alimentação certo para todas as pessoas e que não deviam comer isto ou aquilo mas, sabem uma coisa? Não é verdade, cada corpo é um corpo, cada cultura, uma cultura, cada vontade, uma vontade.

Se não sentem vontade de mudar, não têm porque o fazer. Não obstante, se não se sentem bem, se sentem que falta algo nas vossas vidas, um pouco de energia talvez, experimentem alterar alguns hábitos, seja na alimentação, mudar de emprego, correr de manhã. Para algumas pessoas, tal como eu vai funcionar uma mudança de alimentação, outras se calhar apenas necessitam de mudar de ares, outras estão bem como estão. Para todas, a minha mensagem é que não deixem de viver, de experimentar novas sensações mas, sobretudo,  não sigam tão cegamente uma única verdade, porque se calhar até podem surgir novas tonalidades no arco íris que já conhecemos. Sejam felizes!

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