segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Nascemos para ser... apenas

Eu era uma criança que havia acabado de nascer. Não era de chorar (nessa altura, mais tarde parece que a conversa foi outra) e bem pequenina, dizem eles. Não dei dores para nascer, diz a minha mãe, fui boazinha. Não sei se ela está só a ser simpática mas sempre ouvi isso. A oxitocina no corpo dela deve ser potente. Fez-lhe esquecer completamente a dor.

Foi simples assim. Numa segunda feira de outono, confundida com uma indigestão, depois de um dia de chuva e de muitas castanhas, mais alguém fez parte do mundo, mais uma vida que nasceu para simplesmente ser, para simplesmente continuar o ciclo natural das coisas. Pensamos que nascemos para grandes feitos, depois, se não conseguimos, ficamos frustrados com isso. Ficamos frustrados com uma vida simples. Ansiamos e e invejamos os que conseguem ser famosos, os que ganham mais dinheiro ou os que têm mais sucesso quando, na verdade, apenas deveríamos ser. Se repararem com atenção, nós já somos a personagem principal das nossas vidas pois, quer queiramos quer não, não dá para fugir de nós próprios e contrariamente àquilo se pensa, a nossa perspectiva é de facto a ideia de que o mundo gira à nossa volta. Claro que não faz mal ter ambições e expectativas, fazem também parte da nossa condição humana, mas viver em função disso pode ser desgastante e, por vezes, frustrante. Sejam felizes todos os dias. Nascemos para ser... apenas.


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