terça-feira, 3 de novembro de 2015

Simplicidade voluntária... o nosso modo de vida :)



Na minha infância passei muito tempo com os meus avós e lembro-me particularmente dos fins de tarde sentados no terraço a olhar para o mar e a conversar. Lembro-me das manhãs húmidas em que ouvia o galo cantar e a minha avó fritava ovos e aquecia leite para tomarmos o pequeno almoço juntos, das sestas quentinhas depois do almoço aninhada no meu avô e das gotas de água que recolhia com os dedos da varanda. E era só assim… e bastava. Lembro-me, sobretudo, de ser feliz, verdadeiramente feliz. É essa felicidade bruta, genuína que quero passar aos meus filhos.

Não eram gente rica estes meus avós, trabalhavam na terra e criavam alguns animais, mas tinham tudo aquilo que necessitavam para transmitir o significado de felicidade a uma criança pequena. A minha avó não trabalhava fora apenas cuidava da casa, de mim e ajudava o meu avô no terreno quando era necessário. O meu avô tinha um terreno onde trabalhava todas as manhãs, vinha almoçar a casa, fazia uma sesta e mais tarde voltava ao trabalho um pouco mais para ajeitar qualquer coisa. Eles não iam ao shopping, não tinham telemóveis ou computadores, não tinham roupas, sapatos ou bijuterias da moda, nem iam ao ginásio. Sem essas coisas, como é possível ser-se feliz? Mais, como é que hoje em dia, com acesso a tudo isto, não conseguimos ser plenamente felizes?

Em modo de revolução silenciosa, atualmente, cada vez mais pessoas tentam se aproximar desta forma de viver. É um conceito de simplicidade voluntária. Não são pobres e a sua maioria detém habilitações académicas de nível superior, escolhem viver com menos, deliberadamente. Trocam de emprego, um apartamento grande por um mais pequeno, mudam da cidade para o campo e algumas até tentam viver sem dinheiro. O que querem estas pessoas? Mais tempo, mais liberdade, mais qualidade de vida e mais conexão com a família e os amigos.

É uma questão de respeito, por nós próprios, pelos outros e pela natureza. Não consiste em abdicar de tudo o que o desenvolvimento nos permite, um telemóvel ou um computador hoje em dia dão de facto muito jeito. Não é uma questão de fundamentalismo, muito menos de sacrifício, só não gastamos dinheiro apenas porque pudemos. Conversamos e ponderamos se necessitamos de o fazer realmente ou não. Basicamente, aprendi com os meus avós que é simples ser feliz. Hoje em dia, o difícil é ser tão simples. Uma semana feliz a todos.

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