segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Pare por alguns momentos, apenas sinta...

Num destes dias, houve um momento em que fechei os olhos e somente foquei na minha respiração. Inicialmente, era um pouco difícil, os pensamentos vinham e iam, eu deixava-os ir e tornava a focar-me no meu ritmo respiratório, na sensação do ar a entrar pelas narinas e encher os meus pulmões. Aos poucos, a minha respiração foi se tornando cada vez mais profunda e, a certa altura, alguém me colocou um pequeno quadradinho de chocolate preto na mão pedindo que o sentisse com as minhas mãos. Senti-o. Com a ponta dos meus dedos, senti a sua forma, a sua textura suave. Depois, pediram que o cheirasse. Senti um cheiro forte, bom, inebriante, quase que podia sentir o seu sabor e ainda nem o tinha provado. Ainda de olhos fechados, solicitaram que trincasse um pouco e deixasse dissolver na boca. Que sensação maravilhosa! Sentir cada pequena parte deste processo em pormenor, focar-me no sabor que aos poucos se soltava do chocolate. Um pouco mais tarde, pediram que colocasse o resto do chocolate na boca e o trincasse, mastigando-o devagar. Senti-o a quebrar-se perante a pressão dos meus dentes, reparei na maneira como ele se espalhava na minha boca e na forma como a língua o envolvia. Senti o sabor do chocolate a invadir cada parte da minha boca e ao mesmo tempo do meu cérebro, passar pela minha garganta e pronto… dadas estas sensações todas, nunca mais olhei para o chocolate da mesma maneira. Foi numa aula do Curso intensivo de Facilitador de Meditação Infantil ministrado pela professora de Yoga e Meditação infantil, Patrícia Oliveira.
A verdade é que o nosso dia a dia se desenrola tão rotineiramente que já nem apreciamos o prazer que cada uma das nossas atividades deveria nos dar, comemos sem saborear, passamos todos os dias pelos mesmos locais sem os contemplar. E que tal parar? Experimentar por alguns momentos começar de novo? Fazer um passeio ou saborear um alimento como se fosse a primeira vez? Estar presente, com foco nesse momento, sem distrações. É a isto que chamamos de meditação. 
Grande parte de nós, quando houve falar em meditação, pensa em alguém sentado a tentar não pensar em nada, a tentar parar a mente, o que certamente deverá ser complicado. Ninguém consegue deixar de pensar e não é isso que se pretende com o ato de meditar. Certa vez, alguém me disse que quando estivéssemos muito cansados na sala de aula ou a fazer um trabalho em que chegámos a um impasse, podíamos simplesmente pegar numa caneta, respirar fundo e olhar para ela como se fosse a primeira vez, reparar em todos os seus contornos, na sua cor, na forma como rodopia na nossa mão ou como desliza no papel… A meditação pode ser vista como um botão que nos ajuda a reiniciar quando o sistema está sobrecarregado ou um portão que, se permitirmos claro, se abre e nos deixa ver como somos por dentro, revelando-nos os verdadeiros sentimentos, o nosso eu mais íntimo. 
Quanto à Patrícia, ela regressa à nossa ilha em Março do próximo ano. Não perca a oportunidade de fazer este curso. Durante esta semana, escolha um momento qualquer, pare e viva-o como se fosse a primeira vez, apenas sinta! Uma semana feliz.



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